...são princípios de conduta legais pra caramba!
Não exponho essa convicção pra criar doutrina, por favor! Pelo contrário, quero compartilhar pra alguma alma vagante o raciocínio que me conduz a esses princípios, meramente por querê-lo fora de mim, quer dizer, entre as ideias de um colega internético que aceite a brincadeira - mas também, é importantíssimo, para que eu assista a mim próprio refletindo e escrevendo... para dissipar essa parede entre dois "eus", integrando-os.
Pacífico e paciente: princípios bastante cristãos, parece-me! Não sou dos estudiosos mas, com efeito, mais do Novo Testamento e suas interpretações mais felizes. Ainda assim, cristão. Portanto, falamos de uma ética contemplativa, quer dizer, sem ênfase na prática de transformação externa, sem ênfase em política. Isso porque não se luta por mudanças e se evita reagir às paixões negativas que eventualmente nos tomam - como a ira ou a cólera.
É coerente a crítica que se faz sobre a ética contemplativa cristã: ela é despolitizada e, partindo de uma reflexão histórica e não religiosa, é também insuficiente para lidarmos com nosso mundo social hierarquizado, o qual não perdoa e te bate nessa e na outra face. Mas, ainda assim, não são princípios puramente cristãos; são princípios necessários a todo tipo de conduta anti-dogmática e democrática! Pois é completamente impossível o diálogo sem que ouçamos o Outro, o Estranho, e, para tanto, não basta simplesmente lhes conceder voz, temos que de fato escutá-los. A saída: sermos pacíficos, na medida em que não lutaremos contra tudo e todos simplesmente por sermos diferentes, e pacientes, de maneira a não nos curvarmos aos nossos impulsos primeiros de rejeição a quem não viverá conforme nossa vontade.
No entanto, há um limite: não abriremos mão dos nossos direitos mais básicos para que se saceie os impulsos do Outro, nem seremos completamente racionais em qualquer situação, nem mesmo durante a atividade científica. Isso que significaria ser razoável. Mas, ainda assim, pensemos bem: quantas são as vezes que de fato exageramos na dose? Falamos e fazemos meramente para depois nos arrependermos... Também e quando pessoas queridas, amadas, erram conosco e pedem desculpas: sem o pacífico e o paciente, como faríamos?
Abraço!