Uma reflexão sobre hábitos: não sei bem dizer com exatidão os porquês, mas parece que o imediatismo, em âmbito geral, atrapalha na escolha de nossas condutas.
Parei um pouco para pensar sobre o assunto, e imaginei que, talvez, o imediatismo seja uma tendência de importantes consequências no que se refere aos nossos raciocínios cotidianos. Digo isso, no sentido de que uma pessoa imediatista - e meu exemplo sou eu mesmo - costuma por abrir mão da validade de raciocínios extensos, que necessitem de média a longa duração para se mostrarem relevantes.
Um exemplo bobo: optar por uma conduta preguiçosa quanto a higiene bocal pode ser, a curto prazo, interessante; a longo prazo, bem, cáries... - novamente me baseio em mim mesmo.
Considerando esse contexto, outro exemplo, menos óbvio, é o de como se comportar na seguinte situação social: amigos se reúnem, mas o clima está pesado e sério. Além do constrangimento - seu e de outros - dois amigos se agridem verbalmente, sem remorsos a vista - pelo menos ainda - e de repente você sente que aquilo deve parar, sente-se irritado por esse teatro todo, de duas feras se insultando feito crianças, sem qualquer decisão importante envolvida, "por mero orgulho bobo", você pensa. Daí, bem, temos, grosso modo, duas opções: intervir ou se omitir. Não parece, mas é uma situação bastante complicada.
Vejam a complexidade: podemos reclamar certa autoridade e simplesmente censurá-los, separando-os, assumindo que trata-se de ignorância ou comportamento anti-ético; ou, pode-se optar por uma postura mais humilde, na qual imagina-se que seria preciso compreender melhor a situação para tomar uma atitude mais drástica - não que se elimine, aqui, a hipótese de tomar certa atitude, mas sim evita-se simplesmente separá-los, censurando a agressividade de cada um. Nesse contexto, o mais comum é separarmos os envolvidos, julgando-os insensatos, a partir do argumento de que "consequências mais graves devem ser evitadas", mas, por mais forte que seja o argumento anterior, separá-los implica também uma conduta agressiva. Não busco por estabelecer qualquer moral indiscutível, mesmo porque o exemplo foi genérico o suficiente para discutimo-lo de inúmeras outras perspectivas, mas o que quero ilustrar aqui é que: aquilo que era óbvio a curto prazo - censurar brigas - pode-se confirgurar diferentemente se realiza-se uma reflexão mais extensa e, melhor ainda, coletiva, sobre a questão.
Enfim, por vezes entrar na discussão, por exemplo, pode solucionar o impasse, por mais que isso não seja tão intuitivo.
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